Revista Reformador

O olhar de Jesus*

“Busquemos algo do olhar de Jesus para os nossos olhos […].” – Emmanuel

Mário Frigéri**
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Recordemos o olhar pleno de amor
E compreensão de Nosso Salvador,
A fim de não nos preocupar o argueiro
Que às vezes turva o olhar de um companheiro.

No cego Bartimeu, de Jericó,
Jesus não vê densas trevas, tão só,
Mas sim o amigo que anseia enxergar
Para somente na luz caminhar.

Em Madalena vê a mulher sofrida,
Pelos Espíritos maus possuída,
E lhe restaura o coração dileto,
Para anunciá-lo, um dia, ressurreto.

Não vê em Zaqueu o expoente da usura,
Mas o emissário que os bens enclausura,
E lhe devolve o trabalho e a razão
À sábia e justa administração.

Pedro não é, na negativa instante,
O amigo fraco, e sim invigilante,
A lhe exigir compreensão permanente,
Até ser luz no Evangelho nascente.

Não vê o ingrato em Judas, mas o irmão
Que se traiu pela própria ilusão,
E ao perdoá-lo, estende à Humanidade
O Seu Amor-Perdão, de Idade a Idade.

Busquemos algo do olhar de Jesus
Para banhar nossos olhos de luz,
E toda crítica ou maledicência
Será banida, enfim, da consciência.

Porque teremos, então, atingido
O Grande Entendimento prometido,
Que nos fará sentir em cada irmão
Alguém credor de auxílio e compaixão.

E, assim, no olhar, em branda semiluz,
Teremos algo do olhar de Jesus…

N.A.: Poema inspirado em página homônima de Emmanuel, recebida por Francisco Cândido Xavier e publicada em Reformador, jan. 1956, p. 10. Citação: idem, ibidem.
** N.A.: Autor, escritor, poeta e youtuber compromissado com a Doutrina Espírita – Campinas (SP).